terça-feira, 29 de maio de 2007

Mil vezes o cara

Maracanã. Flamengo, Botafogo ou Fluminense. Goleiro de Seleção no time adversário. Nada disso estava presente na noite de 20 de maio de 2007. Nesse dia, um aparentemente insosso Vasco e Sport pela segunda rodada do Brasileirão reservava um momento que o futebol brasileiro havia visto apenas uma vez, há quase quarenta anos.

No gramado de São Januário, que um dia já foi o maior estádio do Brasil, Romário entrava com uma expectativa que já durava pouco mais de um mês, desde a eliminação do Vasco da Taça Guanabara. A ocasião não era bem como ele imaginava. Apesar do incentivo da massa cruzmaltina, talvez não fosse a mesma coisa de um Maracanã lotado, mesmo palco do milésimo de Pelé. E o adversário? Um tradicional time do Recife, recém-promovido à primeira divisão, mas que não é exatamente o adversário dos sonhos numa hora tão singular como essa. O Goleiro? Um tal de Magrão, que já rodou pelo interior de São Paulo e o Nordeste até chegar ao Sport.

O Baixinho pode até ter pensado nisso durante o jogo. Mas só até os dois minutos do segundo tempo. Pouco mais de sete da noite do domingo, e São Januário estava prestes a acompanhar a história sendo escrita ao vivo. Ali, Romário recebeu uma mãozinha divina. De um enviado do cara lá de cima, aquele mesmo que apontou e disse que o Baixinho era o cara. Dessa vez Deus apontou para o zagueiro Durval e disse algo do tipo “Ajuda o cara”.

Pênalti. Ainda bem, porque assim todos poderiam se ajeitar melhor, levantar das cadeiras (ou do cimento, no caso das arquibancadas) e fixar a visão na grande área. Romário ajeitou, exibiu uma tensão no rosto que nem na disputa dos pênaltis na Copa de 94 foi vista. Ouviu o apito. Ali, o silêncio em São Januário chegava a ser ensurdecedor. Romário correu. Chutou. E depois sumiu, em meio a uma multidão de repórteres e jogadores, estes abraçando o camisa 11.

O serviço estava feito. O último objetivo traçado pelo Baixinho foi cumprido. Os próximos meses são apenas para adicionar mais uns golzinhos na conta. Quem sabe mil e onze? Dois números simbólicos em uma marca só.

A noite de 20 de maio de 2007 não será apenas mais uma nas estatísticas dos almanaques do futebol, aqueles que apontariam somente o resultado de 3 a 1 para o Vasco e no máximo os autores dos gols. Aquela noite, assim como o protagonista, serão imortais.

E o melhor. O Vasco agora pode jogar mais leve, sem o assédio da mídia em cima do Baixinho. Afinal, vida que segue em São Januário. Acaba a festa, continua o campeonato, com mais de 30 rodadas pela frente...

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